Preguiça
por R. BalbiAbri os olhos e a casa estava vazia. O ar se movimentava somente conforme eu respirava e todos os movimentos de todo o ambiente eram meus, nada mais se mexia. A tarde começava a ficar agradável e amarela, mas os passarinhos que a esta hora iniciavam grande algazarra e as crianças que saíam à rua para brincar esfuziantes pareciam estar de preguiça, pois nada se ouvia a não ser os sons que eu mesmo emitia. Ousei romper o cenário com um brusco movimento ao me levantar da cama bagunçada de sono com um longo espreguiço acompanhado de urro grutural, terminando tudo com um desgrenhar nos cabelos já desgrenhados pelo travesseiro, mas nada disso fez o mundo acordar comigo, muito menos o gato que jazia esparramado numa almofada do corredor. Fui até a cozinha e senti um agradável cheiro de café vindo de algum apartamento vizinho. Lembrei de você, que odeia café.

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