Contos Mínimos
Agasalho
Jovem, não sabia ainda metade do mínimo necessário para se aventurar nos perigos do amor. Era como escalar uma montanha gelada sem travas de segurança, agasalhos e botas com espetos para fincar na neve e impedir o deslize. Comprou luvas de lã e julgou suficientes. Partiu de peito aberto e pegou uma pnemonia - para início de conversa.
Inverno

Alda não vivia os outonos ou primaveras, era criatura de verões e invernos alternados - caoticamente alternados. Quando não estava cortante de tão gélida, era um lindo pôr do Sol num dia quente. Plínio rezava todo dia para que o frio fosse raro, mas a natureza, meus amigos, é incontrolável.
Oh mulheres, fonte de toda malícia, impenetráveis enigmas de tolo capricho vazio e hermético! Seriam tuas únicas aspirações no mundo confundir o coração e entorpecer a mente dos homens? Seriam teus únicos anseios domar os maiores dentre os grandes? Residem teus desejos mais íntimos em destruir as mais exclusivas maçonarias, arruinar os mais potentes reinos, desmembrar os mais vibrantes exércitos, fragilizar os mais sólidos heróis, desvirtuar os mais retos devotos e contaminar os mais reclusos ascetas? Saí em busca de paz e tudo que consegui foi banhar-me em amores; hoje volto coberto de sangue e dor; irremediavelmente, terrivelmente apaixonado.



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